Análise
6/3/2026

IA Generativa e Due Diligence: o impacto do Guia de IA para o ecossistema de venture capital

O Guia de IA Generativa, desenvolvido pela Zetta e ANBIMA com apoio do Serur Advogados, marca um ponto de inflexão no mercado financeiro ao estabelecer critérios de governança para provedores de IA.
Autor
Bruno Muzzi
Sócio do Serur Advogados
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Para as fintechs, a IA Generativa deixou de ser feature: agora é tema de governança. A publicação do Guia de IA Generativa, desenvolvido pela Zetta e ANBIMA, com apoio técnico-jurídico do Serur Advogados (liderado pelo sócio Fabrício da Mota Alves) e Alvarez & Marsal, marca um ponto de inflexão no mercado financeiro brasileiro.

O Guia não cria uma nova regulação, mas oferece algo complementar: uma metodologia estruturada para avaliação de risco de provedores de IA Generativa. Ao estabelecer critérios de governança, segurança e conformidade, o Guia facilita que instituições financeiras verifiquem como provedores de IA podem apoiar o cumprimento de regras já existentes — LGPD, dever fiduciário, suitability, prevenção à lavagem — reforçando que a inovação não suspende deveres jurídicos.

A IA deixa de ser diferencial tecnológico isolado e passa a ser ativo estratégico ou passivo contingencial.

Impacto no ecossistema de venture capital

Para o ecossistema de venture capital, o Guia cria oportunidades e desafios. Espera-se que:

(i) o valuation passe a considerar maturidade de governança de IA como fator de risco — uma prática já adotada em mercados mais maduros;

(ii) a dependência crítica de APIs externas seja identificada como risco material durante due diligences;

(iii) as avaliações de provedores de IA incluam análise estruturada de governança, conforme proposto pelo Guia;

(iv) contratos com provedores de IA passem a incluir cláusulas específicas sobre responsabilidade, transparência e monitoramento de modelos.

Governança como múltiplo

No venture capital, risco não gerenciado vira desconto. O Guia oferece aos gestores de VC um referencial estruturado para avaliar esse risco. E a governança bem estruturada vira múltiplo.

Quem compreender essas implicações primeiro — e estruturar suas práticas de due diligence em torno do Guia — estará melhor posicionado para avaliar e precificar risco de IA em suas próximas rodadas.

Baixe a análise completa em PDF para uma visão detalhada sobre o tema.